União Europeia propõe reforço na proteção de infraestruturas críticas contra ameaças cibernéticas e híbridas

A Comissão Europeia voltou a defender o endurecimento das regras de proteção às infraestruturas críticas do bloco, diante do avanço de ameaças cibernéticas e híbridas no continente. O tema ganhou destaque durante a Munich Cyber Security Conference, onde autoridades europeias alertaram para a necessidade de uma postura menos permissiva frente a riscos digitais estratégicos.

Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, afirmou que a União Europeia não pode mais subestimar a capacidade de atores hostis de comprometer serviços essenciais por meio de ataques digitais. Segundo ela, os conflitos contemporâneos incorporam o ciberespaço como elemento central, frequentemente combinando invasões virtuais com sabotagens físicas, campanhas de desinformação e pressões econômicas coordenadas.

Cibersegurança como pilar da segurança europeia

A representante destacou que não há segurança nacional sem cibersegurança. Nos últimos anos, hospitais, redes de energia, órgãos públicos, cadeias de suprimentos e até processos eleitorais em Estados-membros foram alvo de ataques, evidenciando a vulnerabilidade de setores estratégicos.

O alerta ocorre em meio à proposta recente de revisão do Cybersecurity Act. A iniciativa busca ampliar o papel da agência europeia de cibersegurança (ENISA) e fortalecer mecanismos de mitigação de riscos nas cadeias de fornecimento de tecnologias da informação e comunicação consideradas críticas.

Entre as medidas sugeridas está a retirada progressiva de fornecedores classificados como de alto risco das infraestruturas nacionais sensíveis. A intenção é reduzir a exposição a dependências tecnológicas potencialmente exploráveis em cenários de tensão geopolítica.

Cadeias de fornecimento sob escrutínio

O debate não ocorre em um vácuo. Diversos países europeus já impuseram limitações a determinados fornecedores estrangeiros de equipamentos de telecomunicações, especialmente em componentes centrais das redes. Paralelamente, a dependência de grandes provedores tecnológicos externos também tem sido questionada, sobretudo após decisões políticas recentes fora do bloco que impactaram o acesso a serviços digitais.

Sem citar países específicos, Virkkunen ressaltou que a digitalização acelerada ampliou significativamente a superfície de ataque da Europa. Nesse contexto, a defesa cibernética passa a integrar a estratégia mais ampla de prontidão e defesa do bloco.

Novas frentes: drones, cabos submarinos e indústria europeia

A Comissão também vem estruturando planos de ação voltados à segurança de drones e à proteção de cabos submarinos — infraestruturas consideradas críticas para comunicações e operações estratégicas. Incidentes recentes reforçaram a necessidade de atenção redobrada a esses ativos.

Para Bruxelas, o ciberespaço deve ser tratado como um domínio estratégico central, inclusive sob a ótica militar. Isso implica investimento em capacidades próprias, estímulo ao desenvolvimento de uma indústria europeia de cibersegurança e avanço em tecnologias como computação de alto desempenho e Inteligência Artificial aplicada à defesa.

A mensagem é clara: diante da intensificação das ameaças híbridas, fortalecer a resiliência digital deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a ocupar posição estratégica na agenda de segurança da União Europeia.

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