Agentes maliciosos usam falsas atualizações do Zoom para infectar Macs com malware

Grupos de cibercriminosos da Coreia do Norte estão usando atualizações falsas do Zoom como isca para espalhar malware direcionado a sistemas macOS, principalmente em organizações ligadas a web3 e criptomoedas, segundo relatório da SentinelOne.

Grupos de cibercriminosos da Coreia do Norte estão usando atualizações falsas do Zoom como isca para espalhar malware direcionado a sistemas macOS, principalmente em organizações ligadas a web3 e criptomoedas, segundo relatório da SentinelOne.

A campanha maliciosa, atribuída ao grupo APT BlueNoroff — vinculado ao regime de Pyongyang — segue um sofisticado encadeamento de infecção. O ataque começa com a personificação de um contato confiável da vítima, que é abordada por meio do Telegram para agendar uma reunião usando a popular plataforma de agendamento Calendly.

Em seguida, a vítima recebe um e-mail com um link para uma suposta reunião no Zoom, sendo instruída a executar um script malicioso disfarçado de atualização do SDK do Zoom. A execução desse script inicia uma cadeia de infecção em múltiplas etapas que culmina com a instalação de binários maliciosos, rastreados pela SentinelOne sob o nome de NimDoor.

Técnicas inéditas e linguagem incomum

A análise revelou métodos inovadores empregados pelo grupo, como o uso da linguagem de programação Nim para compilar os binários direcionados ao macOS. Também foi identificado o uso do protocolo wss para injeção de processos e comunicação remota, além de mecanismos de persistência baseados em manipuladores de sinais — uma técnica até então inédita em malwares para macOS.

O Nim é uma linguagem de programação compilada, fortemente tipada, que incorpora conceitos de outras linguagens como Python, Ada e Modula. Os módulos em Nim utilizados pelos agentes maliciosos apresentam características avançadas, como manipulação criptografada de configuração, execução assíncrona com base no tempo de execução nativo da linguagem e persistência baseada em sinais de sistema.

Scripts e binários maliciosos

Além do Nim, a campanha fez uso intenso de AppleScripts para acesso inicial e ações pós-comprometimento, como comunicação com os servidores de comando e controle (beaconing) e criação de backdoors no sistema. Scripts bash foram empregados para extrair dados sensíveis, incluindo senhas armazenadas no Keychain, dados de navegadores e informações do Telegram.

Segundo a SentinelOne, os atacantes utilizaram dois binários Mach-O distintos para iniciar cadeias de execução paralelas: um escrito em C++, responsável pela coleta de dados, e outro, em Nim, projetado para estabelecer persistência no sistema. Este último instala dois binários adicionais: GoogIe LLC (com uso de typo spoofing, trocando “l” minúsculo por “i” maiúsculo) e CoreKitAgent.

O GoogIe LLC cria arquivos de configuração e aciona o CoreKitAgent, um componente avançado desenvolvido em Nim que atua como uma aplicação orientada a eventos, explorando o mecanismo kqueue do macOS. Em conjunto, esses binários mantêm o acesso ao sistema e empregam sinalizadores como SIGINT e SIGTERM para reativar os componentes principais mesmo após tentativas de encerramento.

Disfarce e complexidade

A SentinelOne destaca que a capacidade única do Nim de executar funções em tempo de compilação permite aos agentes maliciosos integrar comportamentos complexos no binário, dificultando a análise e confundindo os fluxos de controle. Isso resulta em binários onde o código do desenvolvedor se mistura com a estrutura da própria linguagem, inclusive em nível de função.

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