
Você sabia que seu ar-condicionado pode ser a porta de entrada para um ataque cibernético? Com a transformação digital avançando em prédios comerciais, data centers e redes de varejo, os sistemas de gerenciamento predial (BMS) se tornaram alvos cada vez mais vulneráveis — e frequentemente ignorados.
A seguir, explicamos os principais riscos e como sua empresa pode evitá-los.
O que são sistemas de gerenciamento predial (BMS)?
Sistemas de gerenciamento predial (BMS, na sigla em inglês) são plataformas que controlam e automatizam funções críticas de edifícios: climatização (HVAC), iluminação, segurança, energia, elevadores, entre outros.
Com a tendência de conectar tudo à internet, esses sistemas ganharam eficiência e permitiram maior controle operacional. Mas, junto com os ganhos, vieram brechas de segurança que não podem ser ignoradas.
O principal alvo dos atacantes
Segundo o relatório State of CPS Security 2025: Building Management System Exposures elaborado pela Claroty, 75% das empresas analisadas tinham dispositivos BMS com vulnerabilidades conhecidas (KEVs) — falhas que já foram exploradas por cibercriminosos. Além disso, 51% estavam conectadas de forma insegura à internet, o que abre um caminho direto para invasores.
Entre os riscos mais frequentes estão:
- • Protocolos antigos e inseguros, como BACnet e Modbus;
- • Dispositivos “legacy” sem suporte de fabricante;
- • Credenciais padrão ou hardcoded;
- • Ausência de autenticação multifator e controle de acesso;
- • Descontrole no uso de ferramentas de acesso remoto (mais da metade das empresas usa quatro ou mais).
Casos reais que acendem o alerta
Alguns ataques citados no relatório demonstram o impacto real desse tipo de falha:
- • MGM Resorts (2023): paralisações em mais de 30 propriedades após ciberataque que comprometeu sistemas internos.
- • Omni Hotels (2024): hóspedes enfrentaram check-ins manuais, chaves sem funcionar e ausência de Wi-Fi; 3,5 milhões de registros foram comprometidos.
- • Empresas de engenharia na Europa (2021): invasores “brickaram” sistemas BMS explorando falhas no protocolo KNX.
O impacto direto nos negócios
BMS comprometidos vão além da tecnologia e afetam diretamente a operação das empresas. Veja alguns exemplos:
- • Data centers podem sofrer superaquecimento se o controle de refrigeração falhar;
- • Redes de varejo correm risco de perdas com falhas em refrigeração ou iluminação;
- • Hotéis podem ver sua reputação abalada com experiências negativas, como chaves que não funcionam ou alarmes falsos;
- • Galpões logísticos dependem de ventilação e climatização para não interromper ciclos de entrega;
- • Edifícios inteligentes podem sofrer interrupções generalizadas em elevadores, iluminação e acesso físico.
Como se proteger: plano em 5 passos
Para lidar com esses riscos, é necessário ir além da simples aplicação de patches. O relatório propõe uma abordagem contínua e estratégica:
- Escopo: mapeie os processos críticos e os dispositivos que os suportam.
- Descoberta: faça um inventário completo e preciso dos ativos e comunicações.
- Priorização: considere o impacto no negócio, não apenas o nível técnico da falha.
- Validação: simule rotas de ataque e revise regras de firewall e segmentação.
- Mobilização: aplique correções de forma planejada, com indicadores claros de impacto.
O avanço da conectividade em edifícios inteligentes é inevitável — e traz inúmeros benefícios. Mas ignorar a superfície de ataque cada vez maior pode colocar em risco a operação, a reputação e até a segurança dos ocupantes. Monitorar, segmentar e corrigir os pontos mais críticos deixou de ser uma escolha técnica: é uma necessidade estratégica.
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