
À medida que os projetos de inteligência artificial evoluem de simples assistentes de IA generativa para redes de agentes capazes de raciocinar, tomar decisões e executar ações em funções críticas do negócio, cresce também a necessidade de as organizações manterem controle sobre sua infraestrutura de IA.
De acordo com um estudo do IBM Institute for Business Value (IBV), a dependência excessiva de fornecedores de inteligência artificial pode representar riscos operacionais, financeiros e estratégicos para as empresas. A pesquisa ouviu 1.000 executivos responsáveis por IA, dados e tecnologia em 17 setores e 16 países.
IA já influencia decisões corporativas
Segundo o levantamento, CEOs afirmam que a inteligência artificial já participa de aproximadamente 25% das decisões operacionais das empresas. A expectativa é que esse percentual alcance 48% até 2030, ampliando significativamente o impacto da tecnologia sobre os negócios.
Apesar desse avanço, muitas organizações ainda possuem pouca visibilidade sobre sua própria cadeia de dependências em IA. O estudo revela que 91% dos executivos admitem não compreender completamente as relações entre fornecedores, modelos, infraestrutura e serviços utilizados em seus ambientes.
Dependência de fornecedores preocupa empresas
A pesquisa também mostra que a troca do principal fornecedor de IA é considerada um processo complexo.
Segundo os entrevistados:
- • 71% acreditam que substituir seu principal fornecedor seria difícil;
- • 75% das empresas que tentaram realizar essa migração nos últimos dois anos enfrentaram obstáculos significativos.
Entre os principais desafios estão:
- – Portabilidade de dados;
- – Revalidação de modelos;
- – Exigências regulatórias;
- – Dependência tecnológica (vendor lock-in).
Outro fator apontado pelo estudo é que, diferentemente dos softwares tradicionais, os modelos de IA podem sofrer alterações frequentes sem ciclos previsíveis de atualização. Mudanças em preços, limitações de uso, políticas de tratamento de dados, controles de segurança e até descontinuação de modelos podem ocorrer rapidamente, impactando diretamente as operações das empresas.
Interrupções geram impactos financeiros
Os entrevistados relataram uma média de seis interrupções operacionais relacionadas à IA nos últimos dois anos, sendo falhas em serviços dos fornecedores a principal causa.
Para 81% dos executivos, uma indisponibilidade de sete dias do principal fornecedor representaria um problema grave ou crítico para a organização.
Segundo a IBM, empresas que possuem maior controle sobre toda a pilha tecnológica de IA conseguem proteger 55% mais lucro operacional contra interrupções provocadas por esses fornecedores quando comparadas às organizações com menor nível de controle.
Custos também aumentam
Além dos riscos operacionais, o estudo aponta impactos financeiros relevantes.
Quando a inteligência artificial é executada distante dos dados utilizados durante o processamento, os custos com tokens podem ser 2,8 vezes maiores.
Como exemplo, a IBM estima que uma empresa com faturamento de US$ 20 bilhões possa desperdiçar aproximadamente US$ 50 milhões por ano apenas com esse tipo de ineficiência.
Mesmo assim, 72% dos executivos afirmam que aceitariam um aumento de até 20% nos custos para manter múltiplos fornecedores de IA, priorizando flexibilidade estratégica e redução de riscos.
IBM recomenda estratégia de soberania em IA
Para reduzir a dependência de fornecedores e aumentar a resiliência operacional, a IBM recomenda que CIOs adotem uma estratégia de soberania em IA, baseada em arquiteturas flexíveis e capacidade de substituição de componentes.
A empresa propõe dividir os sistemas de IA em três níveis:
- • Nível 1: aplicações críticas para o negócio, como mecanismos antifraude, algoritmos proprietários e plataformas de decisão. Nesses casos, é essencial possuir alternativas para dados, modelos e infraestrutura.
- • Nível 2: soluções importantes, mas não diferenciadoras, como atendimento ao cliente, análises de RH e otimização da cadeia de suprimentos. A dependência de fornecedores pode ser aceita, desde que existam contratos adequados e monitoramento contínuo.
- • Nível 3: serviços considerados comoditizados, como transcrição, tradução e automações simples, nos quais a soberania total pode não justificar o investimento.
Planejamento para reduzir riscos
Segundo a IBM, muitas empresas já utilizam diversos fornecedores de IA — 28% afirmam trabalhar com quatro ou mais. No entanto, essa diversidade normalmente é consequência de fatores como aquisições, estruturas legadas e operações distribuídas, e não de uma estratégia planejada.
Para fortalecer a governança, a empresa recomenda que as equipes de tecnologia:
- – Mapeiem toda a cadeia de dependências dos sistemas críticos;
- – Avaliem alternativas de código aberto;
- – Identifiquem pontos de dependência tecnológica;
- – Padronizem formatos para portabilidade de dados;
- – Testem processos reais de migração entre fornecedores;
- – Validem procedimentos de troca de modelos;
- – Implementem mecanismos de contingência para falhas dos provedores.
A recomendação é que, para cada sistema considerado crítico, a organização possua alternativas previamente testadas para dados, modelos e ambiente de execução, além de planos de migração capazes de serem acionados rapidamente em caso de indisponibilidade ou mudanças inesperadas nos serviços de IA.
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