
Consultoria recomenda que os líderes de segurança tomem decisões ainda em 2026 sobre segurança da IA, agentes autônomos, deepfakes, defesa preventiva e criptografia pós-quântica.
A adoção acelerada da inteligência artificial está mudando o papel dos Chief Information Security Officers (CISOs). Segundo o Gartner, esses profissionais devem ganhar mais espaço nas decisões estratégicas sobre governança, risco tecnológico e o uso da própria IA dentro das empresas.
A consultoria listou cinco ações que os líderes de cibersegurança devem começar a executar já no quarto trimestre de 2026. Para Christopher Mixter, VP Analyst do Gartner, a combinação de ataques potencializados por IA, debates sobre a segurança dessa tecnologia e riscos ligados à computação quântica mantém as organizações em um cenário de incerteza constante.
CISO deve assumir a segurança da IA
A primeira recomendação é consolidar a autoridade do CISO sobre a segurança da inteligência artificial. O foco recai sobre a proteção da infraestrutura e o controle das interações entre os modelos e os sistemas que fornecem a eles ferramentas, dados e permissões.
Na prática, isso aproxima a área de segurança das decisões de governança e implementação de IA tomadas pela alta gestão, hoje frequentemente conduzidas sem a participação direta dos responsáveis pela proteção.
Agentes de IA precisam de limites próprios
O segundo ponto trata dos agentes autônomos. Em pesquisa com 297 líderes de cibersegurança, feita no segundo trimestre de 2026, 54% disseram não ter uma abordagem definida para restringir o acesso desses agentes ou admitiram depender das permissões já atribuídas a usuários humanos.
O Gartner defende que sistemas multiagente sejam avaliados pelos privilégios que têm e pelas ações que conseguem executar, e não só pelas capacidades dos modelos. Uma das alternativas sugeridas é o uso de agentes de supervisão, que limitam o impacto de comportamentos indesejados em workloads baseados em agentes.
Reconhecer rosto ou voz já não basta
Os deepfakes formam a terceira prioridade. Para a consultoria, identificar alguém pela imagem ou pela voz deixou de ser base suficiente para autorizar decisões ou transações.
A orientação é combinar ferramentas de detecção de deepfakes com sinais contextuais, camadas adicionais de autenticação e verificação da procedência dos conteúdos. Isso exige revisar processos em que uma ligação, uma videoconferência ou outro tipo de reconhecimento pessoal ainda serve como prova de identidade.
Investimento em defesa preventiva
A quarta recomendação é ampliar os investimentos em cibersegurança preventiva. Em outro levantamento do Gartner, com mais de 300 líderes de risco corporativo, 76% dos CISOs colocaram a descoberta de vulnerabilidades por meio de IA entre os dez principais riscos emergentes.
Entre as tecnologias apontadas estão mecanismos automatizados de moving target defense, técnicas avançadas de ofuscação e deception e Threat Intelligence preditiva. A ideia é reduzir as oportunidades do atacante antes que a intrusão aconteça, complementando as capacidades tradicionais de detecção e resposta.
Criptografia pós-quântica não pode esperar
A quinta prioridade é a criptografia pós-quântica (Post-Quantum Cryptography, PQC). De acordo com o Gartner, 51% dos CISOs ainda não iniciaram nenhuma atividade nessa frente. A consultoria estima que as organizações que não começarem a testar a migração até 2027 podem ter custos pelo menos 200% maiores quando precisarem fazer a transição completa.
Entre as preocupações estão os cenários de “harvest now, decrypt later”, em que dados cifrados são coletados hoje para serem decifrados no futuro com computadores quânticos, e de “harvest now, forge later”, ligado à possibilidade de comprometer mecanismos criptográficos de autenticidade.
Segundo o Gartner, essa preparação não se resume a trocar algoritmos. Ela exige mapear onde a criptografia é usada, entender as dependências existentes e adaptar a infraestrutura de forma gradual.
Decisões que não podem ficar para depois
As cinco frentes mostram que o papel do CISO vai além da operação técnica. Com IA, agentes autônomos e a ameaça quântica avançando ao mesmo tempo, as decisões tomadas agora devem definir o nível de exposição e o custo da segurança das organizações nos próximos anos.
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