Ataques ao sistema SWIFT esquentam o debate sobre mudanças no sistema de pagamentos dos EUA

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Em janeiro de 2015, o Federal  Reserve dos EUA emitiu um documento chamado Strategies for Improving the U.S. Payment System, em que apresentava um plano para, em colaboração com emissoras de cartões, bancos, varejistas, consumidores e outras partes interessadas, renovar o sistema de pagamentos nos EUA, tornando-o “mais ágil, mais seguro e mais eficiente”. Porém, os recentes ataques à rede bancária Swift estão levando especialistas em segurança a questionar se pagamentos mais eficientes não abririam portas para novos tipos de fraude e se os Estados Unidos estão prontos para essas mudanças.

A depender do Federal Reserve, o país está pronto. Segundo Marianne Crowe, vice-presidente de estratégias do Fed de Boston, a continuidade do negócio e a segurança são as prioridades do Fed, que estaria “revisando mais de 20 propostas de tecnologias que poderiam facilitar os pagamentos nos EUA, que possui um dos sistemas de pagamentos mais diversos e complexos do mundo”

Todas as propostas, segundo Marianne, “vieram do setor privado”; a VP afirma ainda que “um sistema de pagamentos mais rápido é essencial para garantir a interoperabilidade global do sistema de pagamentos. Os EUA em breve podem estar em desvantagem competitiva, se não habilitarem um sistema mais ágil”.

Mas o consultor independente Richard Parry – um dos responsáveis por gerenciamento de riscos da JPMorgan Chase – não se mostrou tão otimista, especialmente diante das contendas legais entre bancos e varejistas envolvendo pagamentos “ no fim isso vai se tornar um problema de transferência de fundos e não de segurança”. Para Parry, essa despreocupação com segurança leva a riscos, dentre os quais ele cita o gerenciamento de identidades que, ele lembra, estão no centro dos ataques à rede Swift.

“Instituições bancárias terão que repensar totalmente como eles autenticam e verificam pagamentos antes de migrar para pagamentos mais rápidos e isso depende de uma boa gestão de identidade”, alerta Parry.