Como gerenciar riscos de segurança em sistemas dependentes de software

À medida que o software se torna parte essencial de sistemas críticos, os riscos de segurança e resiliência se intensificam. Mesmo com pressões por prazos e custos, adiar o gerenciamento desses riscos pode gerar grandes prejuízos operacionais, além de reduzir drasticamente as opções de mitigação. Neste artigo, você vai entender como o Security Engineering Framework (SEF) pode ajudar organizações — especialmente aquelas que operam sistemas críticos — a lidar com esses riscos ao longo de todo o ciclo de vida do sistema.

Por que a segurança de software precisa ser uma prioridade?

O software está no centro de sistemas militares, industriais, financeiros e de infraestrutura. No caso dos sistemas de armamento do Departamento de Defesa dos EUA (DoD), por exemplo, a dependência de software é tamanha que qualquer falha pode comprometer toda uma missão.

Deixar para tratar vulnerabilidades após o sistema já estar em produção é arriscado. Estudos mostram que 70% dos erros são introduzidos ainda nas fases iniciais de requisitos e arquitetura, mas a maioria só é detectada após testes de integração — quando o custo para corrigir pode ser até mil vezes maior.

A complexidade crescente dos sistemas de software

O crescimento da complexidade dos sistemas de software é evidente. Em aeronaves militares, por exemplo, o código passou de mil linhas no F-4A para mais de 8 milhões no F-35. Isso aumenta exponencialmente o número de defeitos: mesmo softwares de alta qualidade podem ter até 600 defeitos por milhão de linhas de código (MLOC), dos quais 5% podem representar vulnerabilidades de segurança.

Assim, para um código de qualidade média, é possível ter até 300 vulnerabilidades por MLOC. Reduzir essas falhas exige boas práticas de desenvolvimento, como codificação segura, revisões sistemáticas de código e uso de ferramentas automatizadas de análise.

O que é o Security Engineering Framework (SEF)?

O SEF é uma estrutura composta por práticas de engenharia voltadas especificamente para gerenciar riscos de segurança e resiliência ao longo de todo o ciclo de vida de sistemas dependentes de software — desde a definição de requisitos até a operação e manutenção.

Essa estrutura foi desenvolvida pelo SEI (Software Engineering Institute), com base em métodos anteriores como o Security Engineering Risk Analysis (SERA) e o Acquisition Security Framework (ASF), e serve como guia completo para:

  • • Incorporar segurança desde o início do desenvolvimento;
  • • Manter resiliência operacional durante todo o uso do sistema;
  • • Reduzir vulnerabilidades e riscos cibernéticos;
  • • Melhorar continuamente os processos de engenharia.

Segurança x resiliência: entendendo a diferença

  • Segurança é a capacidade de proteger sistemas contra ameaças que possam comprometer suas funções críticas.
  • Resiliência é a habilidade de se adaptar a mudanças, resistir a ataques e se recuperar rapidamente de interrupções.

Embora complementares, essas abordagens enxergam os riscos de maneiras diferentes. O SEF trata ambas de forma integrada, o que ajuda as organizações a balancearem medidas de proteção com capacidade de adaptação.

Estrutura do SEF: três domínios estratégicos

O SEF está dividido em três domínios, que juntos contemplam 13 objetivos e 119 práticas. Veja a seguir um resumo de cada domínio:

1. Gestão da engenharia

Foca no planejamento e liderança das atividades de segurança e resiliência. Os objetivos incluem:

  • Gerenciamento das atividades de engenharia;
  • Gestão de riscos de engenharia;
  • Avaliação independente do sistema.

2. Atividades de engenharia

Trata da aplicação prática da segurança no ciclo de vida do software. Os objetivos abrangem:

  • • Especificação de requisitos seguros;
  • • Arquiteturas robustas;
  • • Gestão de componentes de terceiros;
  • • Implementação segura;
  • • Testes com foco em segurança;
  • • Autorização de operação;
  • • Preparação para o deploy;
  • • Suporte e manutenção com segurança.

3. Infraestrutura de engenharia

Abrange as ferramentas, softwares e ambientes usados no desenvolvimento. Os objetivos são:

  • • Integrar ferramentas seguras ao processo de engenharia;
  • • Garantir a segurança da infraestrutura usada por equipes internas e fornecedores.

Avanços estratégicos com o SEF

Organizações que adotam o SEF têm a possibilidade de transformar seu modelo de engenharia em um processo mais robusto e preparado para os desafios atuais. Com uma abordagem baseada em risco, é possível priorizar medidas preventivas e integradas — em vez de apenas corretivas — com impacto direto na proteção de ativos e na continuidade das operações.

Ao estruturar segurança e resiliência como partes fundamentais da engenharia de sistemas, o SEF proporciona uma visão sistêmica para lidar com ameaças cada vez mais sofisticadas. Trata-se de uma ferramenta estratégica para aquisição, desenvolvimento e operação de sistemas críticos em um cenário no qual  confiança, integridade e continuidade são indispensáveis.

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